Colheres: Um Brinquedo Musical

Neste artigo vou contar para você como descobri o universo das colheres e como criei o Colherim.  Vou também te dar o passo a passo para encontrar a colher ideal e as dicas para segurar corretamente este instrumento mirabolante.

Muita gente fica curiosa sobre a minha relação com as colheres e quer saber mais informações… É muito comum receber perguntas como: Qual é a colher ideal? Como Funciona? Como faz para segurar a colher corretamente? O que é o Baile do Colherim?  E muitas outras…

Se você ainda não ouviu falar sobre brincadeiras musicais com as colheres, nem do meu livro Colherim ou do meu curso online Baile do Colherim, pode ficar tranquilo que eu vou explicar tim tim por tim tim aqui embaixo.

Descobrindo as colheres como instrumento

Quando fui conhecer a Espanha, um amigo de Madrid me apresentou a sonoridade das colheres e me ensinou como tocá-las.

A partir deste dia, eu mal podia imaginar que minha trajetória como educador e músico acabava de mudar, de ganhar um novo tempero. Como sempre costumo dizer, a minha relação com as colheres foi “amor à primeira vista”, ou melhor, à primeira colherada.

Quando escutei aquele som, imediatamente me lembrei da sonoridade das castanholas, instrumento típico da cultura espanhola e da dança flamenca. Por isso, na minha cabeça, fez muito sentido as colheres estarem presentes neste país.

Passei então a investigar este novo instrumento e, para minha surpresa, descobri que as colheres percussivas eram tradicionais em muitos países: Colômbia, Turquia, Canadá, Estados Unidos, Irlanda, Rússia… Passei por quase todos estes países para pegar um pouco da técnica musical de cada um e, a partir deste conhecimento, temperei as colheres com um ritmo brasileiro.

E foi assim que surgiu o Colherim. É claro que não poderia faltar um tempero da minha raiz mineira e, por isso, incluí o diminutivo no final. Em Minas todo “trem” termina em “im”: pequenim, miudim, facim, bonitim, jeitim, cavalim… E com as colheres não podia ser diferente!

Quando descobri esta sonoridade brasileira das colheres, percebi que elas poderiam se adequar aos nossos ritmos e se transformar em diversos instrumentos da nossa cultura: agogô, pandeiro, reco-reco e até mesmo em um tamborim. Assim, em 2013, reuní a primeira parte desta pesquisa no livro “Colherim: ritmos brasileiros na dança percussiva das colheres” publicado pela editora Peirópolis. Este livro é um material bem interativo e vem com um DVD que ilustra este percurso das colheres pela cultura brasileira.

A cantora e pesquisadora musical Magda Pucci escreveu sobre este livro:

No momento atual, em que a música é conteúdo obrigatório nas escolas, é sempre bom saber da existência de iniciativas como a de ‘Colherim‘, que dão um novo sopro às possibilidades da educação musical, que deixam de lado a sisudez característica das metodologias em massa. Estêvão promove, com sua alegria e entusiasmo, uma forma de fazer uma música simples, cativante e cheia de criatividade, palavra que considero chave nesse momento da educação musical brasileira.

No meu canal do youtube você ainda pode ver outras iniciativas que este livro gerou.

E aí você me pergunta: Ah, então toda a sua pesquisa com colheres está neste livro?

E eu respondo que “nããão”…

A publicação deste livro foi apenas a ponta de um grande iceberg que não parou de crescer. Depois de alguns anos como professor no The San Francisco Orff School, trabalhando sobretudo com música e movimento, depois de publicar 9 livros com o Palavra Cantada sobre brincadeiras musicais, e depois de pesquisar diferentes pedagogias musicais, como Dalcroze, Suzuki, Gordon, pude aprimorar o trabalho e explorar ainda mais o diálogo das colheres com as brincadeiras e o movimento.

Assim, as colheres se transformaram em um importante elemento do método de ensino que eu estava elaborando.

O nascimento de uma metodologia

Traduzi o ritmo das colheres para o corpo, criei atividades que integram habilidades, não somente da música e da dança, mas do desenvolvimento infantil como um todo: equilíbrio, coordenação motora, cooperação, autocontrole, atividades manuais… Foi possível conectar, através da brincadeira, elementos diretamente relacionados com o avanço das capacidades cognitivas de cada criança.

Para trabalhar tudo isso, compus mais de 15 músicas: Valsa dos Cavalos, Sambaê, Passeio, Babailando, entre outras.

Essas canções se tornaram o coração do meu método de ensino e, por meio delas, eu também vou desenrolando uma história musical. A pesquisa cresceu tanto que esta metodologia se transformou em um curso online: o Baile do Colherim.

E você pensa que a investigação criativa das colheres parou por aí? Claro que não!

Agora, para que você possa realmente entender este processo musical e criativo, será preciso vivenciá-lo! Isso mesmo, chegou o momento de você encontrar as suas próprias colheres e começar a brincar! Imagino que você deve estar se perguntando:

“Mas Estêvão, aonde encontro estas colheres especiais para brincar com o Colherim? Quanto custa?”

Como encontrar a colher ideal

E eu te digo que estas colheres especiais estão bem ali, na gaveta da sua cozinha. A colher ideal para o colherim é aquela mais simples que temos em casa.

Mas, e este é o primeiro mas da história, existe uma ciência para encontrar a colher mais simples e confortável entre todas aquelas que estão na nossa cozinha.

Depois da simplicidade, a primeira dica para encontrar a colher perfeita, é buscar uma colher de metal lisa, sem nenhum “rocócó”. Eu chamo de “rococó” alguns desenhos ou formas onduladas que aparecem no cabo das colheres.

As colheres que têm estes detalhes não são boas, pois quando começamos a tocar acabam machucando um pouco dos dedinhos. Isso também acontece com as colheres que tem cabo de madeira – o cabo grosso acaba apertando os dedos.

Neste vídeo aqui embaixo eu explico o passo a passo para encontrá-la e mostro um pouquinho da minha coleção:

Ainda que eu tenha passado estas dicas, gosto sempre de lembrar que o exercício investigativo de ir à cozinha com as crianças e provar o som dos diferentes instrumentos da gaveta, já proporciona uma brincadeira muito musical.

E neste percurso nós, adultos, podemos ir conduzindo e indagando: Qual das colheres tem um som mais agudo? Qual tem um som mais grave? Qual a diferença da pequena para a grande? Qual é mais confortável na mão?  Além das colheres, quais outros instrumentos podemos encontrar por aqui?

Como segurar as colheres pecurssivas

Depois de encontrar o par de colher ideal, precisaremos aprender como segurá-las corretamente:

 

Para que você possa chegar à posição da foto, ao encaixe perfeito, vou fazer o passo a passo:

  1. Primeiro você começa fazendo um sinal de “jóia” com o seu dedão.
  2.  Com este gesto você vai então segurar o cabo da colher. Como se ela fosse um prolongamento do seu “jóia”, e você fizesse agora um “jóião”.
  3. A colher vai ficar apoiada no dedo indicador. Mas, e esta é uma informação importante, a colher deve ficar em um local exato do dedo, mais precisamente na falange do meio. Isso mesmo, os dedos da mão são divididos em três partes, chamadas falanges, e vamos apoiar a colher na do meio. Cuidado para não apoiar no ossinho que fica no meio do dedo, pois que pode machucar.
  4. Depois que a primeira colher estiver bem acomodada (posição “joião” + apoio na falange do meio), nós vamos chamar a outra colher e ela vem se acomodar entre o dedo indicador e o dedo do meio, também na segunda falange.
  5. Lembre-se que as colheres ficam sempre de costas uma para a outra.
    É importante que entre uma colher e outra exista um espaço não muito grande, mas um espacinho da medida de um dedo mindinho.
  6. E você pode começar a explorar esta sonoridade batendo na palma da mão:

 

Apartir de hoje, a sua cozinha nunca mais será a mesma, ela se transformará na terra natal de muitos instrumentos musicais. Então, mãos à obra! E não deixe de levar suas crianças a esta incrível experiência sonora e lúdica.

Se você gostou deste conteúdo não deixe de compartilhar com seus amigos e deixar o seu comentário aqui embaixo ajude a levar uma educação mais lúdica e criativa para nossas crianças!

5 Comments

  • Ester

    Reply Reply 19 de julho de 2017

    Queria saber sobre o curso do colherim….

  • Michelly

    Reply Reply 26 de julho de 2017

    Sensacional!!!!

  • Nivia Amaral

    Reply Reply 10 de agosto de 2017

    Seu trabalho é radiante e você é pura luz!

  • Laura

    Reply Reply 14 de agosto de 2017

    Essas colheres Percussivas são muito comuns aqui onde eu moro, já que elas são muito usadas em grupos de bluegrass.
    Na verdade, elas fazem parte do grupo dos instrumentos de percussão a que pertencem as castanholas, chamado de Concussão Idiopática.
    Essas colheres já são tocadas há séculos em grupos de música folclórica grega, canadense, americana, inglesa, russa e turca.
    Elas fazem parte dos instrumentos de Percussão nos grupos, por isso são Percussivas.

  • ROSA MARIA RIBEIRO

    Reply Reply 25 de setembro de 2017

    meus alunos de 4 anos amam tocar colheres, eles querem aprender a segurar como eu faço… rsrsrs… não querem as adaptadas que vc sugeriu… rsrsrs… aos pouquinhos eles estão conseguindo, não forço nada… os de 5/6 anos já tem mais facilidade em segurar… tem sido um aprendizado pra todos nós… uma delícia fazer música musicalmente com as colheres

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